sexta-feira, 6 de abril de 2012

Supervisão Escolar




 

RESUMO
A supervisão educacional (ou escolar) constitui-se num trabalho profissional que tem o compromisso juntamente com os professores de garantir os princípios de liberdade e solidariedade humana, no pleno desenvolvimento do educando, no seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho e, para isso assegurar a qualidade de ensino, da educação, da formação humana. No cenário nacional, a supervisão escolar tornou-se “função meio”, que garantiria a eficiência da tarefa educativa, através do controle da produtividade do trabalho docente.
Ao se estabelecer um conceito supervisão, é importante esclarecer o sentido etimológico do termo. A palavra Supervisão é formada pelos vocábulos super (sobre) e visão (ação de ver). Indica a atitude de ver com mais clareza uma ação qualquer. Como significação estrita do termo, pode-se dizer que significa olhar de cima, dando uma “idéia de visão global”.
Afirma Ferreira (1999): supervisor é aquele que: “assegura a manutenção de estrutura ou regime de atividades na realização de uma programação/projeto. É uma influência consciente sobre determinado contexto, com a finalidade de ordenar, manter e desenvolver uma programação planejada e projetada coletivamente”.
O supervisor escolar faz parte do corpo de professores e tem a especificidade do seu trabalho caracterizado pela coordenação – organização em comum – das atividades didáticas e curriculares e a promoção e o estímulo de oportunidades coletivas de estudo.
Conforme Alarcão (1996), no contexto brasileiro, a supervisão apresenta-se como uma prática relativamente recente. Remonta aos anos 70 e surgiu no cenário sócio-político-econômico, historicamente, como a função de controle.
A estruturação do Serviço de Supervisão se deu sobre esta ótica, o que hoje levam muitos a confundir aspectos técnicos com administrativos, até porque o contexto que gerou a Supervisão Escolar é decorrente de uma política perpetuadora da estratificação social. “É neste contexto, que emerge a Supervisão Escolar como um meio de controlar o que foi planejado ao nível central” (Silva, 1987:72).
De acordo com Silva Júnior e Rangel (1997), em seu início a Supervisão Escolar foi praticada no Brasil em condições que produziam o ofuscamento e não a elaboração da vontade do supervisor. E esse era, exatamente, o objetivo pretendido com a supervisão que se introduzia. Para uma sociedade controlada, uma educação controlada; um supervisor controlador e também controlado.
Lima (in Rangel 2001), acredita que, com a implantação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1997), a supervisão educacional foi considerada uma grande aliada do professor na implementação, associada à avaliação crítica, desses parâmetros. Contudo, para que se possa alcançar esse objetivo, é necessário que a supervisão seja vista de uma perspectiva baseada na participação, na cooperação, na integração e na flexibilidade. Nesse sentido, reconhece-se a necessidade de que o supervisor e o professor sejam parceiros, com posições e interlocuções definidas Escolar. 

Um Pouco de História

Os objetivos da orientação educacional eram mais claros e precisos quando a mesma abordava a área de psicologia, á partir do momento em que houve mudança no enfoque.
Da orientação, dando ênfase nos aspectos sociológicos os mesmos deixaram de ser claro e precisos, sendo isto confirmado em lei que apresenta para a orientação uma diversidade de objetivos em suas atribuições.
Em outras palavras, devido a densidade de atribuições e funções, algumas vezes o orientador a ser visto como fora da esfera pedagógica tendo a orientação educacional colaboradora do processo pedagógico, observamos sua atuação hoje, atendendo nossos para paradigmas das ciências humanas e as novas necessidades do mundo moderno de forma clara e transparente.
O passado nos mostra a orientação educacional com um conceito terapêutico psicologisante. O ponto X da questão agora não é mais o ajuste do aluno á escola, família ou sociedade e sim para formação do cidadão. Existe, portanto, a necessidade de inserirmos uma nova abordagem de Orientação voltada à construção de um novo cidadão proposto a participar de forma mais consciente e comprometido com seu tempo e sua gente.
É também seu papel partir de uma Orientação voltada para o indivíduo e chegar a uma Orientação coletiva, participativa e contextualizada.
Podemos direcionar um novo paradigma para a Orientação Educacional, procurando compreender e ajudar o aluno inserido em seu próprio contexto, com sua cultura e seus valores.
Mas quando se fala em Orientação Educacional inúmeros conceitos vêm à tona, há uma indefinição quanto ao que se pretende da Orientação, o que é perfeitamente observável ao longo de sua trajetória.
Acredita-se, houveram duas fases inicialmente:
Uma fase Romântica em que se achava que a Orientação resolvia todos os problemas dos alunos e de quem estava envolvido direta e indiretamente com ele. Outra fase foi chamada Objetiva, em que a Orientação seria uma prestadora de serviços, de várias ordens e que não permitia que os alunos tivessem problemas.
A Orientação estava sempre atenta para esclarecer e mostrar a necessidade de dominar certos conceitos, normas e padrões para não haver problemas posteriores. O conceito chave é o da prevenção.
Estamos vivendo hoje, a fase Crítica, em que se vê o aluno como uma toda sua realidade, seu momento. A Orientação está sempre do lado do aluno, ajudando-o a compreender que naquele momento assinalado ele está vivendo a sua própria vida.
A profissão de Orientador Educacional foi criada através da Lei nº 5.564 de 21 de dezembro de 1968 e regulamentada pelo decreto nº 72.846/73.

 


supervisor escolar 
ATRIBUIÇÕES:

  • Socializar o saber docente, estimulando a troca de experiência entre segmentos da comunidade escolar, a discussão e a sistematização da prática pedagógica, viabilizando o trânsito teoria-prática, de forma a qualificar a prática docente;
  • Discutir permanentemente o aproveitamento escolar e a prática docente, buscando coletivamente o conhecimento e a compreensão do processo ensino-aprendizagem e suas dificuldades, problematizando o cotidiano escolar e elaborando propostas de intervenção nessa realidade;
  • Assessorar individual e coletivamente o corpo docente no trabalho pedagógico interdisciplinar;
  • Coordenar e participar dos Conselhos de Classe, juntamente com o SOE, tendo em vista a análise do aproveitamento da turma como um todo, do aluno e do professor, levantando alternativas de intervenções pedagógicas para superação de dificuldades e/ou qualificação do trabalho;
  • Proceder na análise de currículos escolares de alunos transferidos, indicando os procedimentos necessários às adaptações curriculares;
  • Contribuir para a elaboração do horário escolar, cronograma das atividades, listas de materiais e de outras questões curriculares;
  • Supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula estabelecidos legalmente;
  • Elaborar o Plano de Ação do Serviço de Supervisão Escolar;
  • Elaborar anualmente relatório síntese das ações realizadas na Escola;
  • Analisar o histórico escolar dos alunos com vistas a adaptações, transferências, reingressos e recuperações;
  • Planejar e coordenar as reuniões pedagógicas, de Conselho de Classe e com a comunidade escolar, objetivando a melhoria constante do processo ensino-aprendizagem;
  • Ministrar curso, palestra ou aula de aperfeiçoamento e atualização do corpo docente, realizando-as em serviço, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento qualitativo dos profissionais;
  • Assessorar o Conselho escolar, direção e professores em assuntos pertinentes à supervisão escolar;
  • Acompanhar e avaliar o aluno estagiário em supervisão escolar, junto à instituição formadora;
  • Cumprir as demais atribuições contidas no Plano Anual da Escola.  

 ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
 ATRIBUIÇÕES:

  • Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação Educacional;
  • Mobilizar a escola, a família e a criança para a investigação coletiva da realidade na qual todos estão inseridos;
  • Cooperar com o professor, estando sempre em contato com ele, auxiliando-o na tarefa de compreender o comportamento das classes e dos alunos em particular;
  • Manter os professores informados quanto às atitudes do SOE junto aos alunos, principalmente quando esta atitude tiver sido solicitada pelo professor;
  • Esclarecer a família quanto às finalidades e funcionamento do SOE;
  • Atrair os pais para a escola a fim de que nela participem;
  • Desenvolver trabalhos de integração: pais x escola, professores x pais e pais x filhos;
  • Trabalhar preventivamente em relação a situações e dificuldades, promovendo condições que favoreçam o desenvolvimento do educando;
  • Organizar dados referentes aos alunos;
  • Procurar captar a confiança e cooperação dos educandos, ouvindo-os com paciência e atenção;
  • Ser firme quando necessário, sem intimidação, criando um clima de cooperação na escola;
  • Desenvolver atividades de hábitos de estudo e organização;
  • Tratar de assuntos atuais e de interesse dos alunos fazendo integração junto às diversas disciplinas;
  • Entrevistar os pais para troca de dados e informações acerca do aluno;
  • Propiciar aos pais o conhecimento de características do processo de desenvolvimento psicológico da criança, bem como de suas necessidades e condicionamentos sociais;
  • Refletir com os pais o desempenho dos seus filhos na escola e fornecer as observações sobre a integração social do aluno na escola, verificando variáveis externas que estejam interferindo no comportamento do aluno, para estudar diretrizes comuns a serem adotadas;
  • Fazer a orientação familiar através de reuniões individuais com os pais, em pequenos grupos e nas reuniões bimestrais programadas constantes do Calendário Escolar.
  • Fazer atendimentos individuais, sempre que for necessário para análise e reflexão dos problemas encontrados em situações de classe, recreios, desempenho escolar, pontualidade, cuidado com material de uso comum, relacionamento com os colegas de classes e outros alunos do colégio, respeito aos professores e funcionários;
  • Realizar atendimentos grupais sempre que for necessário para reflexão de problemas citados acima ocorridas em situações de grupo;
  • Esclarecer quanto a regras no que diz respeito ao cumprimento das normas do colégio;
  • Divulgar o perfil das classes;
  • Organizar arquivos e fichas cumulativas;
  • Participar da preparação e realização dos Conselhos de Classe;
  • Participar dos eventos da escola;
  • Organizar e participar junto à coordenação das atividades extra-curriculares.



 Relevância da supervisão educacional
 
A supervisão escolar é relevante, haja vista que a mesma atua no sentido da construção de uma competência docente coletiva.
A supervisão é importante por que:
- Visa ao acompanhamento ao aluno com ajuda de professores, para um bom desenvolvimento do ensino-aprendizagem, bem como ajuda no fornecimento de materiais alternativos, para tornar conteúdos mais atrativos visando sempre uma melhoria na aprendizagem;
- Procura soluções para situações que permeiam o relacionamento aluno-professor, pois é uma pessoa apta e disponível para atender problemas individuais, bem como elevar os bons trabalhos realizados.
Alguns diriam que qualquer professor poderia fazer o que foi descrito acima, no entanto, as funções do supervisor educacional fortemente presente, que possui conhecimentos específicos, produzem resultados mais eficazes. Todavia, os conhecimentos específicos só o especialista domina, e é ele, portanto, quem pode desempenhar tal função mais competentemente.
Rangel et alli (2001) consideram a supervisão escolar de total relevância, à medida que desenvolve um trabalho de assistência ao professor, em forma de planejamento, acompanhamento, coordenação, controle, avaliação e atualização do desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. 
 
Características da atuação da supervisão educacional na escola 
As características da Supervisão Escolar são justificadas a partir do contexto de sua ação. Dizem respeito a procedimentos, objetivos, conteúdos e finalidades. Assim sendo, sua primeira característica é a complexidade de sua função.
A questão sobre as principais características da atuação da supervisão nas instituições de ensino,  a função de supervisor acopla funções de orientador, assistente social, psicólogo, visando prestar suporte às atividades dos professores no desenvolvimento do currículo escolar.
Rangel et alli (2001) assinalam que, a ação supervisora pode incentivar o estudo de princípios metodológicos, enfatizado, elementos pontuais para a escolha do método tendo como as considerações:
- Das relações entre professores, alunos, objetivos, conteúdos, avaliação e recuperação da aprendizagem;
- Do aluno e de seus interesses, que emergem, tanto de sua vivência, quanto do movimento social e suas motivações;
- Da especificidade dos temas dos programas;
- De fundamentos da aprendizagem e da dinâmica da sala de aula, como a diversificação metodológica;
- De processos e recursos da avaliação e recuperação da aprendizagem.
No entanto, além das características citadas, Rangel et alli (2001) destacam que, a formação do profissional da educação que irá trabalhar com a supervisão poderá ser feita, como diz a nova LDB, em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, desde que garantida nessa formação, a base comum nacional e que ela incorpore as atuais exigências do mundo do trabalho e das relações sociais.
Podemos direcionar um novo paradigma para a Orientação Educacional, procurando compreender e ajudar o aluno inserido em seu próprio contexto, com sua cultura e seus valores.
Mas quando se fala em Orientação Educacional inúmeros conceitos vêm à tona, há uma indefinição quanto ao que se pretende da Orientação, o que é perfeitamente observável ao longo de sua trajetória.
Acredita-se, houveram duas fases inicialmente:
Uma fase Romântica em que se achava que a Orientação resolvia todos os problemas dos alunos e de quem estava envolvido direta e indiretamente com ele. Outra fase foi chamada Objetiva, em que a Orientação seria uma prestadora de serviços, de várias ordens e que não permitia que os alunos tivessem problemas.
A Orientação estava sempre atenta para esclarecer e mostrar a necessidade de dominar certos conceitos, normas e padrões para não haver problemas posteriores. O conceito chave é o da prevenção.
Estamos vivendo hoje, a fase Crítica, em que se vê o aluno como uma toda sua realidade, seu momento. A Orientação está sempre do lado do aluno, ajudando-o a compreender que naquele momento assinalado ele está vivendo a sua própria vida.


Considerações Finais
 
Não é possível abordar a questão de supervisão sem ter claramente explicitado o contexto em que sua ação se situa, pois, é a partir daí, que queremos repensar seu papel político e social.  Reafirma-se que a construção de uma nova realidade passa obrigatoriamente pela construção de um novo paradigma. Esse paradigma deve ser assumido pelo Supervisor num processo argumentativo baseado em atos de fala, no qual são questionadas as pretensões de validade que podem ser aceitas ou não, legitimadas pela força de argumentação.
Diante do exposto do texto deste blog , pode-se concluir que, a Supervisão Educacional, na escola analisada, tem desempenhado seu papel, buscando cumprir a grade curricular, observando a prática e orientando individualmente os professores. Tendo como foco de atenção, aspectos técnicos, burocráticos e de controle, buscando promover e dinamizar o currículo, através da interação grupal.
- Informar os professores a respeito ao papel que o supervisor deve desempenhar a função que lhe cabe.
- A escola deveria ter também o orientador educacional para fazer o trabalho diretamente com pais e alunos.
- Dialogar mais com os professores, sempre buscando um melhor atendimento para se fazer um trabalho em conjunto cada vez mais satisfatório sempre visando o aluno.
- A escola deveria contar com apoio na orientação pedagógica, sem a qual a função deste recai sobre a supervisão.


Um comentário:

  1. Ao falar em supervisão, é preciso situá-la quanto ao nível e ao âmbito de ação. A supervisão da qual se fala neste contexto é a que se realiza na escola, integrada à equipe docente, com âmbito de ação didática e curricular. É preciso, entretanto, reconhecer outros níveis centrais e intermediários da função supervisora, à qual incumbem ações de naturezas pedagógicas, administrativas e de inspeção.
    Todavia, são históricos, também os conceitos sobre a função do Supervisor, se configuraram a partir de práticas e paradigmas implícitos em discursos que legitimaram a ideologia, em quase todos os casos, dominante. Como o período da ditadura não é um fato histórico tão distante, muitos ainda não se desvencilharam totalmente de seus efeitos, o que é compreensível quando encontramos entendimentos acerca da Supervisão que remontam ao espírito ditatorial com manifestos numa linguagem e práticas em consonância com termos como fiscalização e inspeção.

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